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É diferente mas é normal | 02

Hoje eu quero falar sobre algo que ninguém fala com relação ao Irã.

“Preconceito.

Insegurança.

Será que é um país seguro para uma mulher visitar?”

Eu pensei exatamente nisso quando decidimos conhecer o Irã, e não é pra menos.

Convenhamos que a fama dele não é boa, mas esse texto não é sobre como a reputação do Irã não condiz com o país que é.

Como as pessoas são gente boa e gentis, como a comida é boa e o lugar é bonito, como eu não me senti insegura sendo mulher em momento algum… mas isso fica pra outro papo do Se joga.

Hoje eu quero falar sobre algo que ninguém fala com relação ao Irã.

Algo que me impressionou e me marcou muito.

Algo que talvez fizesse eu não ir ao Irã outra vez, mesmo querendo visitar algumas cidades que faltaram da nossa lista.

A resposta vai te surpreender, prepare-se…

O banheiro. Mais precisamente: o vaso sanitário.

Só de lembrar me causa arrepios.

Eu sei que ninguém espera por essa resposta quando falo do Irã - não julgo, tampouco esperaria.

Mas a verdade é que foi algo muito chocante pra mim e eu sei que pode parecer pequeno, mas não é, prometo que não é.

Foi a primeira vez que precisei usar um vaso sanitário completamente fora do que eu estava acostumada. Não tem nada em comum.

Eu ia dizer que pra começar não tem tampa mas não tem é nada, porque não tem nem vaso!!!

Pois é, o “vaso” é enfiado no chão minhanossasenhora. É literalmente um buraco no chão e ali você faz as suas necessidades.

Mas calma lá que pelo menos é um buraco arrumadinho.

A louça está embutida no chão, como se usava nos armários de antigamente, e tem um lugar certinho para você colocar os pés no estilo “dez pras duas” e (respira fundo!) agachar.

Eu simplesmente detestei o banheiro iraniano.

O descontentamento foi tanto que não conseguia ir ao banheiro, porque eu simplesmente não conseguia usá-lo.

A posição de cócoras não é uma posição difícil pra mim, eu consigo fazer e ficar sem perder o equilíbrio. Mas sinceramente, baita coisa incomoda.

Na minha cabeça não entrava que depois de tantos anos de evolução, lutas, conquistas, eu tinha que ficar agachada, equilibrada, agarrando a minha roupa para ela não cair no chão, para poder fazer um xixi.

Não entrava e continua sem entrar.

Um dia conversando com os donos da casa que nos hospedamos, comentei sobre isso. Disse que era algo muito diferente e que eu preferia o outro vaso.

Eles ficaram completamente chocados com tamanho absurdo que haviam escutado. E depois riram.

Essa é uma das partes mais incríveis de viajar: ver que tudo é normal e diferente ao mesmo tempo. É só uma questão de perspectiva.

Ah! Você achou que era só sobre o vaso sanitário? Pois bem, tem mais: o chuveirinho.

Sim, eles não usam papel higiênico.

Muito informação, né?! Vou deixar você assimilar primeiro sobre o vaso, depois conto sobre o papel, ou melhor, a ausência dele.

Um choque de cada vez.

E depois de viver o diferente como normal por duas semanas, o conselho que eu te dou é: esteja aberto ao novo, mesmo que o novo seja ir ao banheiro agachado.

Não há nada mais importante que o nosso tempo, obrigada por compartilhar o seu comigo. Até o próximo domingo.

Um beijo,

Ananda.

Me encontra lá no @anandaultra :)