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Eu esperava outra coisa | 11

Como assim não vai ter se eu vim aqui só para isso? Não é possível não.

Às vezes, as coisas não saírem como a gente planeja pode ser maravilhoso.

Em 2022, fomos à Turquia. Era a nossa primeira vez — e, naquele momento, ainda não sabíamos que gostaríamos tanto do país a ponto de morar lá por três meses. E depois voltar mais duas vezes. 🤭

Nossa ideia, depois de passar uma semana em Istambul, era fazer uma viagem de carro por três semanas e conhecer cada cantinho do país. Visitamos mais de 12 lugares até chegarmos na última parada: Capadócia.

Você já ouviu falar dessa região na Turquia? Provavelmente. Além dos vales lindíssimos, das famosas “chaminés de fadas”, da cultura rica e da cerâmica artesanal, a Capadócia se tornou mundialmente conhecida pelos voos de balão.

E foi exatamente para isso que fomos lá. Eu queria muito voar de balão. Já me imaginava sobrevoando os vales, vendo o dia amanhecer tão pertinho de mim, tirando várias fotos. Tinha tudo perfeitamente planejado. Pelo menos na minha cabeça.

Assim que chegamos ao hotel, comentamos sobre o passeio. A recepcionista logo avisou: "amanhã não vai ter voo por causa do clima, mas talvez depois de amanhã."

Tudo bem. Como íamos ficar quatro dias na cidade, não tínhamos pressa. Passeamos, visitamos tudo o que dava para visitar, fomos a uma fábrica de cerâmica onde fiz meu próprio vaso — ficou feio, mas a experiência foi incrível. 😂

No dia seguinte, nada de voo. No outro também não. Passeamos de novo. Eu já estava sentindo um mix de emoções: tristeza, frustração, ansiedade. Porque, no final das contas, estávamos ali porque eu queria voar de balão.

No terceiro e último dia, voltamos a perguntar sobre o voo e recebemos o balde de água fria: "não vai ter, o vento não é suficiente."

Como assim não vai ter se eu vim aqui só para isso? Não é possível não.

Fui dormir meio desapontada, mas como falamos em espanhol quando não se há o que fazer: ni modo.

Enquanto deitávamos, começou a nevar. Bem pouquinho. Eu já tinha visto neve antes, quando fui ao Chile anos atrás. Mas lá, nós fomos atrás dela — visitamos uma estação de esqui e passamos o dia brincando.

Dessa vez, foi a neve que veio atrás da gente.

Na manhã seguinte, a paisagem que era cor de areia estava completamente branca. Era muita neve.

Eu fiquei em choque. Nunca tinha visto algo assim. A neve cobria tudo, a ponto de minha mão afundar quando tocava no chão. O carro que alugamos estava tão coberto que tivemos que limpar para conseguir sair.

A paisagem estava tão branca que a foto que Antonio tirou de mim parece até montagem, como se o flash tivesse estourado.

Naquele momento, minha felicidade era imensa. Nem lembrei do voo de balão. Venho de uma cidade onde faz calor o ano todo, então aquilo ali era surreal para mim. Meu sorriso ia de orelha a orelha!

Mais tarde, refletindo sobre o que aconteceu, percebi que nem sempre os planos precisam sair como a gente imaginou. Quando as coisas tomam outro rumo, elas podem se tornar ainda melhores do que o esperado.

Não temos controle sobre tudo — e nem deveríamos tentar ter. O imprevisível pode ser incrível.

Eu ainda não sei como é voar de balão na Capadócia, mas sei como é vê-la completamente branquinha. É de tirar o fôlego.

No final das contas, a experiência foi muito melhor do que eu esperava.

Deixa a vida te surpreender de vez em quando. Pode ser ainda melhor do que você tem em mente.

Não há nada mais importante que o nosso tempo, obrigada por compartilhar o seu comigo. Até o próximo domingo.

Um beijo,

Ananda.